Dia das mães no Rio de Janeiro é assim: começa com dias de antecedência, quando as pessoas vão aos shoppings comprar tralhas para suas mães; e se encerra no final do dia, após horas tentando estacionar o carro perto daquele lugar 'especial'. É uma pena que todos os restaurantes da cidade virem lugares especiais no Dia das Mães. Sendo assim, a celebração de um dia tão especial vira sinônimo de Furada, ou programa de índio, como gostam de dizer por aqui. Praticamente todos sabem disso, mas mesmo assim não deixam de sair com suas mamães. O jeito, às vezes, é improvisar.
Como o segundo domingo do mês de maio cai próximo ao dia do pagamento, os filhinhos mais afoitos adoram se esbaldar no sábado à noite, já que no dia seguinte não poderão fazer um churrasco com os amigos ou ir à praia arejar a cabeça e contar todas as novidades da noite anterior. O domingo dos Dias das Mães é um programa família, mas, de ressaca, ele começa somente após o meio dia. O almoço quase vira um jantar, principalmente com as longas filas de espera para conseguir uma mesa.
O mais espertos, neste dia tão glorioso, acordam cedo e marcam com o familhão já na porta do restaurante, para não atrasar e garantir logo o espaço. No entanto, o tumulto é certo. Após alguns minutos já dentro do estabelecimento, ele começa a encher, os garçons, por mais experientes que sejam, nunca dão conta do recado e você passa mais tempo lá, até mesmo só para pagar a conta e sair logo da confusão. Mas a espera pedir a conta - pagar - sair, só gera mais fila, mais insatisfação, mais estresse, mais garçons enrolados, mais pessoas demorando... e o cliclo vicioso continua.
Mesmo sabendo de todos esses tramites normais para o Dia das Mães, nós os repetimos todos os anos; e não satisfeitos, ainda o fazemos no Dia dos Pais, no Dia dos Namorados...
Eu? Sou carioca, cadê a minha fila?

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